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Nossa Fauna Fevereiro/99
Coluna feita para o Almanaque Mercadorama - Letra Viva Editora
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Lobo que não é mau,
gavião que gosta de
carrapatos e capivara
perseguida

(texto e fotos de Zig Koch)
Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

Ele é tímido, solitário, faz longas caminhadas para encontrar alimentos que são: insetos, pequenos roedores, aves e principalmente frutos silvestres. Se reproduz uma vez por ano tendo de 2 a 4 filhotes, com um tempo de gestação de 62 a 66 dias. Vive no Brasil, Argentina, Paraguai, Bolivia e Perú nas regiões com campos naturais, serrado e várzeas. Sua maior atividade é no crepúsculo e no amanhecer. É totalmente inofensivo ao homem. Este é o perfil do Lobo Guará ou simplesmente Guará.
É um animal difícil de ser visto apesar de sua forma e cor chamarem muita a atenção. Muito exigente com relação a alterações no ambiente, acaba fugindo das proximidades da sede das fazendas, pois chega a fugir de pequenos cachorros quando acuado.
Tem um porte avantajado, medindo 1,2 m de altura por 1,6 de comprimento e pesando 23 kg. Seu aspecto acabou lhe dando uma má fama, sendo muitas vezes comparado ao "lobo-mau" do hemisfério norte, que vive em matilhas e são essencialmente carnívoros abatendo animais muitas vezes maiores que seu próprio peso. Por estas crenças acaba sendo perseguido e morto por fazendeiros que temem pela segurança de sua família e criação.
Sua população vem sendo reduzida em função das alterações no meio ambiente e da caça e encontra-se na lista de animais ameaçados.

 

Capivara (Hydrochaeris hydrochaeris)

É o maior roedor do mundo, a Capivara chega a pesar 50 kg e medinde até um metro de altura. De comportamento lento são incapazes de atacar outros animais, sempre encontrando na fuga a sua defesa. A diferença mais visível entre os machos e fêmeas é uma glândula sobre o focinho do macho, que expele uma substância como graxa que identifica seu cheiro para as outras Capivaras. Vivem em bandos sempre perto de rios ou lagos, com sua maior atividade pela manhã e a tarde. Quando se sentem ameaçadas emitem um grito rouco e curto e em seguida mergulham na água emergindo próximas a vegetação na outra margem do rio ou lago, mantendo seu corpo dentro d’água ou saindo em seguida pela barranca do rio.
São predadas por, onças, pumas e outros carnívoros, que atacam principalmente os filhotes. Sua presença é muito fácil de identificar pelas pegadas características e pelas fezes que formam pequenos montes formado por várias pequenas bolotas de fezes que normalmente são encontradas sobre a lama na beira de rios e lagos.
Mesmo com as severas leis contra a caça no Brasil, caçadores inescrupulosos matam este inofensivo roedor. Em alguns locais ela praticamente não é mais vista, mas ainda é um animal abundante em boa parte do nosso território.

 

Gavião-carrapateiro (Milvago chimachima)

Na natureza, existe uma relação de equilíbrio muito forte entre os seres vivos. Alguns animais se beneficiam de outros, sem prejudica-lo. Pelo contrario existe um auxílio mútuo na procura de alimentos, em aproveitamentos de "sub-produtos" produzidos por uns e aproveitado por outros, no controle de parasitas como carrapatos e bernes, comuns em animeis silvestres, entre outros. A esta troca os cientistas chamam de simbiose.
Este gavião como o próprio nome diz, se beneficia dos parasitas de mamíferos de grande porte. Na fotografia anterior, vemos um jovem deste gavião sobre a cabeça da capivara. Também é muito comum se ver este gavião associado ao gado em fazendas.
Para os grandes mamíferos é um alívio ter seus parasitas arrancados e para o gavião estes parasitas são muito nutritivos. Também devem ser muito saborosos, para o paladar de um gavião, é claro.

 

 

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Zig Koch Fotografias