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Nossa Fauna Março/99
Coluna feita para o Almanaque Mercadorama - Letra Viva Editora
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A estranha reprodução
desses anfíbios

(texto e fotos de Zig Koch)

Em noites quentes de ver verão sempre escutamos uma orquestra cheia de sons diferentes Uack, uack, inhé, inhé, uoog, uoog,... Estes sons vem de algum lago ou rio próximo de estamos. São os machos de anfíbios defendendo seu diminuto território de intrusos e tentando "cantar" alguma fêmea. Mas mesmo com todo o papo que os machos tem, é somente a fêmea que decide o momento. Ela leva em consideração, além do papo do macho, o momento em que terá o maior sucesso reprodutivo em função das condições ambientais e próprias.

Vendo os pequenos e frágeis anfíbios, que como os répteis não tem sangue quente, mal podemos imaginar que são descendentes dos primeiros animais superiores a saírem dos antigos oceanos e se aventurarem pela terra, há muitas centenas de milhões de anos. Para que sobrevivessem nos mais diferentes ambientes os anfíbios desenvolveram uma estratégia de reprodução muito própria. Sua fecundação é externa. Acontece quando o macho, sempre menor que a fêmea, abraça fortemente o abdômen dela fazendo com que seus ovos sejam lentamente expelidos para fora quando então o macho deposita seu sêmen.

Depois os ovos na água se transformam em girinos que se alimentam de algas, larvas de insetos, ovas de peixes e animeis em decomposição. Nesta fase respiram por branquias como os peixes. Começam a surgir pequenas patas e se desenvolver os pulmões e pouco tempo uma metamorfose impressionante muda por completo a aparência, a alimentação e o meio em que vivem os anfíbios e passam a respirar através de pulmões. Por habitarem a água e a terra em diferentes fases da vida, os anfíbios são excelentes indicadores de qualidade ambiental, pois qualquer alteração será sentida por eles de forma diferente para cada espécie. Através de análises comparativas os biólogos podem tirar conclusões bastante importantes da qualidade ambiental. Atualmente estamos vivendo um problema ainda não plenamente compreendido. Os anfíbios estão diminuindo ao longo de todo o Planeta, mesmo em áreas de preservação. Isto, segundo conclusões, é preocupante pois além deles ajudarem no controle de diversas pragas, são muito importantes na cadeia alimentar servindo de alimento para várias espécies e principalmente se está acontecendo algo muito prejudicial com estes antigos mas frágeis seres, o que poderá ocorrem conosco, que em termos evolutivos, somos muito mais jovens que os anfíbios?

Alguns exemplos de como os anfíbios desenvolveram estratégias para reprodução em diferentes ambientes.

 

Rã-macaco (Philomedusa sp.)

Para colocar seus ovos, faz um ninho com uma ou duas folhas nas árvores. A fêmea escolhe o local durante o amplexo vão depositando os ovos que fica dentro de uma espécie de gelatina que gruda as duas folhas. Dentro desta gelatina se formam os girinos e quando vem as chuvas a água desmancha este ninho fazendo com que eles caiam sobre a água. A partir daí se desenvolvem normalmente.

 

 

Sapo-ferreiro (Hila faber)

Cava um ninho próximo a superfície em lagos ou mesmo poças d’água, então a fêmea põe os ovos até se transformarem em girinos podendo atingir até 10 cm de comprimento.

 

Rãzinha (Eleuterodactilus sp.)

Vive sobre sarapoeira (camada de folhas mortas nobre o chão da floresta) e coloca seus ovos em tocas úmidas nos troncos na floresta.

 

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Zig Koch Fotografias