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Nossa Fauna Abril/99
Coluna feita para o Almanaque Mercadorama - Letra Viva Editora
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Inofensivos
e muito curiosos

(texto e fotos de Zig Koch)
Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)

Diz uma antiga lenda indígena que Deus quando fez o mundo e os animais, ao final de uma longa jornada de criações perfeitas, estava cansado e não teve tempo de concluir este estranho animal. De focinho longo, sem nenhum dente, boca diminuta, cauda ampla lembrando uma bandeira, corpo relativamente pequeno, patas dianteiras grandes e muito fortes com unhas longas, com as quais cava buracos nos duros cupinzeiros em campos e cerrados atras de seu único alimento: as formigas. Para completar ainda enxergam mau.
Com seus 39 quilos e até 1,9 m de comprimento, os Tamanduás-bandeira são mamíferos dóceis, solitários e sonolentos, incapazes de atacar outro animal. Quando acuado ficam eretos apoiados nas patas traseira e na cauda abrindo os braços e expondo suas enormes, sendo sua única arma. Ficam a espera que o agressor. Quando é atacado, abraça o agressor podendo até matá-lo, por isso é respeitado pelos predadores naturais.
De olfato muito apurado e com movimentos lentos, faz longas caminhadas durante o dia em busca de alimento, tendo sua atividade diurna e noturna, reduzindo nas horas quentes do dia.
Pode ser facilmente visto em campos e serrados com pouca ou nenhuma alteração e é naturalmente mais raro em florestas. Com a alteração de ambientes naturais esta espécie é considerada como ameaçada de extinção, já tendo desaparecido em muitos locais e já é raríssimo vê-lo no Paraná.

Ouriço (Sphiggurus villorus)

Este animal de características peculiares, ao contrário do que muitos pensam é muito dócil, vivendo em locais pouco alterados. O corpo deste roedor, corpo é coberto por espinhos que chegam a medir 6 cm. Estes espinhos são utilizados como uma defesa passiva, isto é, o predador somente sairá com os dolorosos espinhos fincados em seu corpo, quando se atirar desavisadamente sobre o ouriço para atacá-lo. O Ouriço não tem capacidade de projetá-los no agressor. Estes espinhos que se desprendem do ouriço com facilidade, quando penetram na carde de outro animal vão cada vez mais fundo, mas não é por que tem vida própria como é crendice popular, mas por que são revestidos por escamas microscópicas justapostas tendo as extremidades voltadas para a base. Com os movimentos musculares do animal ferido, os espinhos vão penetrando cada vez mais fundo.
Mesmo com os movimentos lentos, tem grande capacidade de subir em árvores e se alimenta de frutos folhas, sendo um dos grandes apreciadores de pinhão, fruto muito nutritivo das Araucárias.
Vive em florestas virgens ou pouco alteradas. Tem de um a dois filhotes por gestação e pesa até 2 quilos com 90 cm de comprimento.
É totalmente inofensivo ao homem, mas suas populações estão diminuindo pela perda de seu ambiente natural e por ser morto pelos que acham que eles podem atacar as pessoas ou a criação.

Pica-pau-do-campo (Colaptes campestris)

Por viverem associado a campos naturais e artificiais como pastos e parques, este é sem dúvida o pica-pau mais fácil de ser visto por nós. Suas penas de cor amarelo forte nas garganta com a barriga barrada, com 32 cm de comprimento, os torna inconfundíveis. Vivem em pequenos bandos e fazem uma enorme algazarra quando sentem a presença de estranhos, voando para a copa de árvores próximas para observar o intruso, sempre com muito barulho.

Ao contrário dos outros pica-paus, eles vão ao solo em busca de comida. Se alimentam de pequenos insetos, como formigas ou cupins, caminham pelo chão, pousam em moirões de cercas e até em fios. Fica muito pouco na posição vertical que é típica de seus parentes pica-paus. Mas seus ninhos fazem como eles, em ocos de árvores, sendo geralmente nas bordas dos campos.

Como outros Pica-paus, ajudam no controle de pragas naturais e estão expandindo sua distribuição natural, ocupando áreas que eram antigas florestas e hoje foram transformadas em pastos pela ação humana.

 

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Zig Koch Fotografias