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Nossa Fauna Junho/99
Coluna feita para o Almanaque Mercadorama - Letra Viva Editora
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O bicudo, o ladrão
e o "quatrolho"

(texto e fotos de Zig Koch)

 

Tucano-de-bico-verde (Ramphatos dicolorus)

O que mais chama a atenção neste, como em outros tucanos, é o seu excepcional bico. Ele é duro e cortante, podendo provocar ferimentos leves se tentarmos pegá-los, mas mesmo com a aparência robusta que tem, são leves e ocos por dentro. Os especialistas especulam sobre o porque de um bico tão "desproporcional" e colorido deste e de outros tucanos. Não se chegou a uma conclusão definitiva, mas a mais provável é a de que se desenvolveram para inibir predadores potenciais devido a sua aparência forte e consistente, sendo vista pelos outros animais como uma "arma" de defesa muito poderosa. Outra função seria de identificarem-se de atrair o companheiro. Mas são apenas hipóteses que na verdade dificilmente serão esclarecidas.
Em vôo, parecem que estão tentando se equilibrar com o enorme bico quase do tamanho de seu corpo, mas acabamos verificando que tem um vôo elegante e gracioso, causando sempre uma visão impressionante e bela. Outro ponto forte na aparência vistosa desta ave, é a cor de sua plumagem, com o peito amarelo profundo e vermelho em contraste com o dorso negro profundo. É comum vermos pequenos bandos destes Tucanos cruzando a estrada na Serra do Mar.
Vivem em pequenos bandos e se deslocam, entre as copas das árvores em busca de seu alimento preferido que são frutos, como o da Imbaúba e do Palmito sendo um de deus grandes dispersores. Fazem seus ninhos em ocos nas árvores e os filhotes nascem nus e cegos, saindo do ninho entre 25 e 30 dias.
Para sua sobrevivência necessitam de grandes áreas contínuas de floresta. Sua população reduz bastante quando as florestas vão sendo fragmentadas pela ação humana.

Quati (Nasua nasua)

Quem vai para Vila Velha e o Parque Nacional do Iguaçu, vai se surpreender com a quantidade deste curioso mamífero, que chega a atingir 7 kg, sendo os machos maiores que as fêmeas.
Eles vem em busca de comida que os turistas desavisados oferecem aos Coatis. Muitas vezes provocando situações embaraçosas para estes mesmos turistas, pois vasculham as bolças a procura de algum quitute e na falta de coisa melhor carregam os documentos para dentro do mato dando muito trabalho para recuperá-los, pois sobem muito bem em árvores e são muito ágeis.
Na natureza se alimentam de tudo, comendo frutas, invertebrados, sementes, raízes e pequenos animais, mas não são caçadores, apenas coletam o que encontram. Podem comer frutas nas copas das árvores ou sementes e raízes no chão da floresta. Apesar de não serem agressivos, tem dentes muito afiados e podem causar ferimentos se tentarmos pegá-los.
Macho pode viver solitário, mas são encontrados normalmente em grupos que pode ter mais de 30 indivíduos entre machos, fêmeas e filhotes. Andam na floresta emitindo constantemente um som curto e com a cauda erguida para se localizarem. Quando um deles se sente ameaçado, emite um som curto e explosivo e todos rapidamente sobem nas árvores reproduzindo o mesmo som na tentativa de amedrontar o intruso.
Fazem ninhos com gravetos nas copas das árvores, parecendo um enorme ninho de ave.
Dependem diretamente da floresta para a sua sobrevivência, desaparecendo em regiões onde é cortada a floresta original, mas ainda é considerada espécie fora de risco de extinção.

Cuica-quatro-olhos ou Cuica-Verdadeira (Philander opossum) 

Os marsupiais são mamíferos que tem o nascimento prematuro dos filhotes, possuem uma bolça no ventre que funciona como um segundo útero chamada de marsúpio. Nesta bolça se encontram as mamas que vão alimentar os filhotes até estarem prontos para sair sozinhos.
Os exemplos mais conhecidos são os cangurus. Todos de origem Australiana, mas aqui temos excelestes exemplos de marsupiais como esta pequena Curica, pesando até 400g e medindo no máximo 66cm. Vive próximo aos cursos d’água subindo em arbustos e andando pelo chão a procura de alimento, que são pequenos vertebrados, insetos, moluscos e frutos. Chega a freqüentar ambientes urbanos. De comportamento tranqüilo, nunca atacam por iniciativa própria, somente tentam se defender de predadores, erguendo as patas dianteiras, abrindo a boca expondo assim seus afiados dentes e emitindo um som rouco e longo.
Geralmente em torno de 5 filhotes, quando já não conseguem mais entrar no marsúpio por causa do tamanho, eles ficam agarrados à mãe por um bom período até estarem aptos a se alimentarem e se defenderem sozinhos. Muitas vezes é possível encontrar mãe sobrecarregada com uma penca de filhotes já bem desenvolvidos se equilibrando nas suas costas. Mesmo assim ela sempre irá protegê-lo.
É um animal muito dócil, mas pelo seu porte a aparência, muitas vezes é confundido com ratazanas e morto indevidamente. Eles não causam mau algum para nós e ainda auxiliam no controle de populações de ratos, insetos e aranhas.

 

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Zig Koch Fotografias