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Nossa Fauna Agosto/99
Coluna feita para o Almanaque Mercadorama - Letra Viva Editora
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Aves marinhas
(texto e fotos de Zig Koch)

Na época do descobrimento do Brasil, os instrumentos eram muito rudimentares para localizar as caravelas. Quando começavam a avistar aves marinhas eram os primeiros sinais de que as terras não estavam longe. Estes mais de 500 anos, são apenas uma pequena fração de tempo destas espécies de aves que sempre tiveram sua vida relacionada aos oceanos. Existem registros foceis de mais de 37 milhões de anos e se distribuem ao longo dos oceanos representadas por inúmeras espécies.

No Paraná estas três espécies são as de mais fácil reconhecimento, ao mesmo tempo que tem um comportamento bem diferenciado.

 

Tesourão, Fragata (Fregata magneficens)

Está entre as aves de vôo mais elegante. Sua envergadura (medida entre as extremidades das asas) chega a ter mais de 2 metros. Maior que o dobro do tamanho de seu corpo.
O macho é inteiramente negro com um "saco gular" vermelho intenso (é uma região entre o bico e o peito, de uma pele elástica que se infla como uma bexiga) Este "saco gular" fica inflado durante o período reprodutivo e é de um vermelho intenso, após este período perde a cor e não é inflado ficando quase invisível. Os machos se empuleram nos galhos das árvores com o "saco gular" inflado e ficam tentando chamar a atenção das fêmeas balançando o bico de um lado para o outro e colocando a cabeça para traz para expor ao máximo o "saco gular".
Pescam perto da costa e junto de embarcações de pesca apanhando as sobras das pescarias dos barcos. Algumas vezes os pescadores brincam de atirar pequenos peixes ao ar para verem a habilidade das Fragatas em pegá-los em pleno ar.
Estão entre as aves que tem os ossos mais leve em relação ao seu peso, são muito pneumáticos e sua estrutura é bastante flexível. Isto chega a tal ponto que as penas de uma fragata pesam mais que seus ossos desidratados!!!
Não pousam sobre a praia ou no mar pois se encharcam rapidamente. Pernoitam empoleiradas em galhos com os quais se agarram firmemente com suas possantes unhas. Estas são importantes também quando filhotes, porque seus ninhos são feitos em arbustos em ilhas sujeitas a tempestades quando seriam levados pelos fortes ventos.
Para se alimentar localizam os peixes próximos à superfície da água e com muita precisão executa um vôo rasante e com seu longo bico recurvado pega o peixe introduzindo na água como uma pinça. Ela também pratica o que é chamado de cleptoparasitismo. Perseguem os atobás e mesmo outras fragatas jovens que tiveram sucesso na sua pescaria até que estas regurgitam o peixe quando então a perseguidora o apanha. Tudo isto em pleno vôo.
Põem geralmente um único ovo em um ninho raso sobre arbustos, feito de gravetos secos retirados de outras arvores, ou de outros ninhos quando desocupados. O macho é mais ativo na construção dos ninhos. Macho e fêmea se revezam na incubação do ovo, que pode durar até oito semanas. A eclosão também demorada, pode alongar-se por até 24 horas. Os filhotes deixam o ninho com cinco meses.

Gaivotão (Larus dominicanus)

Muito comum no nosso litoral, são vistas com freqüência voando em bandos ou pousadas nas praias nos locais onde a areia está molhada. Quando nos aproximamos andando devagar, elas caminham tentando nos evitar. Quando nos aproximamos muito voam pousando mais adiante ou retornando para o local que já estavam antes da nossa passagem.
São aves onívoras, comem desde peixes mortos, atirados na praia, ovos de outras aves, insetos em áreas de agricultura próximas ao mar e podem ser encontradas inclusive junto ao lixo jogado a céu aberto a procura de alimentos. Isto pode lhes causar a morte por ingestão de plásticos, cacos de vidro ou produtos tóxicos. Também são predadoras e podem ser seus próprios inimigos comendo ovos e filhotes de suas vizinhas. Ficam longos períodos no ninhos tanto para protege-los quanto para evitar o excesso de calor do sol sobre os ovos ou filhotes.
Possuem uma glândula nasal para excreção do excesso de sal no seu corpo, passando pela mucosa das narinas e pingado pela ponta do bico. Caso não houvesse esta glândula os rins deveriam produzir dois litros por dia de urina para eliminar excesso de cloreto de sódio.

Atobá, Alcatrazes (Sula leucogaster)

 Tem um método de pesca bastante interessante. Localizam os cardumes de peixes em vôo e lançam-se com grande velocidade sobre a água colocando as asas para traz lembrando uma ponta de flecha, mergulhando a pouca profundidade. Para sua decolagem elas tem que "correr" alguns metros sobre a água. Por vezes são vistos em grupos descansando pousados sobre a água. Ao entardecer voam em fila indiana rente a água em direção aos seus pontos de pouso.
É muito comum vermos estas aves voando rente a superfície da água do mar e muito próximas à rebentação voando sobre as ondas como se fossem um escorregador, suas asas parecem tocar a superfície da água e aparentemente não fazem esforço para voar.
Elas fazem seus ninhos sobre as rochas em ilhas. Põem dois ovos, após saitr o primeiro filhote, descartam o segundo ovo colocando-o de lado. Possivelmente fazem isto por não ter condições de cuidar de mais de um filhote por vez. Os filhotes nascem sem penas, ficando muito sensíveis às intempérie, podendo morrer facilmente caso o local do ninho não seja devidamente abrigado. Em pouco tempo o filhote estará coberto por uma penugem branca dando a eles uma aparência de bicho de pelúcia. Durante o período reprodutivo, os adultos, são ativos dia e noite.
Quando estão nos ninhais, vocalizam com um som parecido com os latidos de cachorros.

 

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Zig Koch Fotografias