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As
aves estão voltando?
(texto e fotos de Zig Koch)A alguns
anos começou a se observar que o número de aves nas cidades aumentou. Talvez nós
simplesmente tenhamos melhorado nossa consciência ambiental e com isto reparado mais nas
aves. Mas o certo é que algumas delas realmente estão aumentando sua distribuição
geográfica. Existem algumas teorias a respeito; alguns afirmam que elas estão se
afugentando nas cidades que acabam se tornando mais seguras para elas que os arredores em
franca transformação. Nas cidades pela melhor consciência e punições muito rígidas,
nós estamos caçando menos as aves. A arborização nas cidades está proporcionando
locais para alimentação, refúgio e reprodução de algumas aves. Bem, provavelmente é
um pouco de cada um destes fatores.
De maneira geral o que ocorre quando alteramos um ambiente, como é o caso das cidades,
fazemos com que várias espécies desapareçam do local pela destruição do seu ambiente,
mas com isto criamos condições para que algumas espécies ocupem o novo ambiente. Neste
caso normalmente são menos espécies e em um número relativamente grande para cada
espécie se comparados às condições naturais. Um exemplo disto é o desaparecimento de
Perdizes e Codornas do que hoje é o centro de Curitiba e o aparecimento de João-de-barro
nos bairros da cidade. Isto se tomarmos por base 100 ou 200 anos atrás, que é muito
pouco comparando com ao tempo natural para as mudanças da distribuição e populações
de espécies ocorram.
Seguem três exemplos:
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Rolinha (Columbina talpacoti) Estas pequena pombinha de 17cm é talvez a mais
conhecida do Brasil. Vive em paisagens abertas como plantações e cidades. Procura seu
alimento no solo ou em edifícios, chegando mesmo a entrar nas casas a procura de farelos
e restos de comida. Adquiriu um comportamento curioso de se jogar como um paraquedas do
alto dos edifícios descendo quase que verticalmente.
Convive muito bem em ambiente urbano e em certas ocasiões as vemos a procura de alimento
nas calçadas e praças aparentemente desviando dos pedestre com rápidas caminhadas e
pequenos vôos. Não se incomoda com a presença de outras aves mesmo os pombos que tem em
abundância no centro das grandes cidades.
Faz ninhos em beirais e mesmo em caixas de ar condicionado nos edifícios. |
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João-de-barro (Furnarius rufus) É uma ave muito querida nas cidades brasileiras,
principalmente pela identificação que temos com esta espécie por ela construir seu
ninho de barro, tendo seu nome científico, Furnarius, se originado pela
semelhança de seu ninho com os fornos de pão do interior.
Constrói o ninho com barro, esterco e palha, variando as proporções desta mistura de
acordo com a disponibilidade de material. Macho fêmea constróem o ninho com muita
habilidade, levando pequenas porções da matéria prima para o local escolhido e cada um
assenta o material que trouxe. Os ninhos são freqüentes nas cidades em árvores
cobertura de casas e mesmo em postes de luz. Muitos ninhos são construídos ao lado ou
sobre ninhos antigos. Provavelmente do mesmo casal.
O ninho leva de 15 dias a um mês para ficar pronto, dependendo das chuvas. Os ninhos
abandonados são ocupados por outras aves, e mesmo com a ocupação do Joãode-barro
existe pressão de outras aves como Chupins que chegam a tentar ocupar o ninho disputando
com o construtor.
Fêmea ocupa o ninho a noite, com ovos e filhotes e põem de 3 a 4 ovos a partir de
setembro.
O João-de-barro, é uma ave adaptada a ambientes abertos e por isto vem expandindo sua
distribuição natural devido as grandes alterações humanas com a substituição das
florestas por áreas abertas.
Lendas sobre esta laboriosa ave contam que eles ensinaram os índios Caxinauá a
trabalharem com o barro. Outra é que o macho aprisiona a fêmea na casa quando esta é
infiel. Bem, se o João-de-barro realmente aprisiona a fêmea infiel, os cientificamente
ainda não puderam comprovar. |
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Sanhaço-cinzento (Thraupis sayaca) Bela ave em tons de cinza azulado, medindo 17,5 cm e
pesando 42 g, é abundante em todo o Brasil. Habita vários ambientes. É facilmente visto
nas cidades, sendo que seu assobio agudo e custo e seu canto melodioso denunciam sua
presença.
Se alimenta principalmente de frutos, brotos de plantas e insetos. Pela sua predileção
pelos frutos é fácil atrairmos para os jardins de nossas casas colocando frutas abertas
num comedouro. Deve ter um poleiro próximo, que pode ser a própria árvore onde estão
as frutas. O comedouro deve estar fora do alcance de cachorros e gatos e sempre é bom ter
água fresca para atrair também outras aves para os jardins das casas.
O Sanhaço-cinzento vive em pequenos bandos de 2 a 8 indivíduos e pode ser visto junto
com outras aves. |
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